História de Canidelo
Origem e enquadramento
do medieval à atualidade
A freguesia de Canidelo, integrada no concelho de Vila Nova de Gaia, possui uma presença histórica documentada desde o início do século XII. A referência mais antiga conhecida surge em 1107, onde o topónimo aparece registado como Kanitello, associado aos canaviais que caracterizavam a paisagem ribeirinha do Douro.



Origem e enquadramento medieval
A Igreja de Santo André de Canidelo é mencionada pela primeira vez em 1124, quando João Mendes e Maria Sarazina doam o seu padroado ao bispo do Porto e ao Cabido da Sé (Fonte: Arquivo Distrital do Porto, Documentos da Sé). Em 1132, Elvira Nunes e os seus filhos transferem direitos sobre a mesma igreja para o Mosteiro de Grijó, reforçando o enquadramento eclesiástico da freguesia (Fonte: Mosteiro de Grijó, Livro de Doações).
As Inquirições de D. Afonso III (1258) referem a paróquia como Sancti Felicis de Canidelo, confirmando a existência de uma comunidade organizada e de estruturas religiosas consolidadas (Fonte: ANTT, Inquirições de 1258).
Autonomia municipal no século XIV
Durante o reinado de D. Pedro I, Canidelo foi elevada à categoria de concelho, facto documentado em registos régios da época (Fonte: Machado, Concelhos Medievais Portugueses, 1966). A autonomia municipal foi revogada em 1375 por carta régia de D. Fernando, determinando o regresso da administração ao concelho de Gaia (Fonte: ANTT, Chancelaria de D. Fernando, liv. 1, fl. 171).
Morgadio de Canidelo
Em 1457, Inês Vasques institui o Morgadio de Canidelo, através de testamento preservado no Arquivo Distrital do Porto (Fonte: ADP, Mosteiro de São Domingos do Porto, K/19/6). O Livro do Morgadio de Canidelo (1458–c.1496) encontra-se atualmente depositado na Biblioteca Nacional de Portugal (Fonte: BNP, cód. PT/BNP/ALB/ANTT/35678).
Evolução administrativa moderna
Segundo o Archivo Histórico Portuguez (1527), Canidelo integrava o termo da Maia. A integração definitiva no concelho de Vila Nova de Gaia ocorreu em 1836, no âmbito da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira (Fonte: Diário do Governo, Reforma Administrativa de 1836).
Património histórico identificado
Entre os elementos patrimoniais documentados destacam-se:
- Igreja de Santo André de Canidelo — referida desde 1124.
- Casa ou Quinta do Paço — construída por Fernão Vasco da Cunha entre 1440 e 1442 (Fonte: BNP, códices históricos).
- Capela de S. Brás — mencionada em documentação eclesiástica medieval.
- Antela das Alminhas — identificada em 1905 pelo abade Sousa Maia (Fonte: Revista O Arqueólogo Português, 1905).
Síntese Institucional
1107 — Primeira referência ao topónimo Kanitello.
1124 — Doação do padroado da Igreja de Santo André ao bispo do Porto.
1132 — Transferência de direitos da igreja para o Mosteiro de Grijó.
1258 — Paróquia referida nas Inquirições de D. Afonso III.
Século XIV — Criação do concelho de Canidelo por D. Pedro I.
1375 — Extinção do concelho por D. Fernando.
1457–1458 — Instituição do Morgadio de Canidelo.
1527 — Integração no termo da Maia.
1836 — Integração definitiva no concelho de Vila Nova de Gaia.

